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    COLUNISTAS José Alberto Valiati
    JANEIRO SOMBRIO - 4
    Por José Alberto Valiati
    04 de Fevereiro de 2020 às 13h01

    17 dias daquele terrível e apocalíptico 17 de janeiro. Já é fevereiro, mas o clima ainda é de tristeza e a "paisagem" irreconhecível. O título do artigo continua sendo JANEIRO SOMBRIO, pois foi naquele mês que tudo aconteceu e esperamos nunca mais presenciar. Nesta segunda feira, poucas pessoas do interior arriscaram-se ir à cidade, afinal a maioria do comércio não está funcionando e algumas repartições também estão fechadas. Em algumas Agências Bancárias as filas são grandes em busca de atendimento. Quem compra a prazo encontra dificuldades em quitar suas contas. Falando nisso, é bom que procuremos os locais onde existe atendimento parcial, pois mais que nunca, aquele que vendeu, precisa receber, pois também deve a mercadoria que comprou para revendê-la. Durante anos os comerciantes patrocinaram os mais variados tipos de eventos no município e agora precisamos, mais do que nunca, valorizá-los e auxiliá-los.

    Não podemos esquecer que o comércio tem significado importantíssimo na arrecadação para os cofres públicos e na geração de empregos. Uma cidade não sobrevive sem esta atividade e o seguimento comercial de Iconha sempre foi forte,  organizado e solidário. Ao longo da Rodovia Estadual 375, se vê vários estabelecimentos desse ramo, deteriorados. Muitos em reforma. Outros aguardando a oportunidade de fazê-la. A poeira voltou em alguns pontos como era antigamente antes da estrada ser asfaltada, pois boa parte da pavimentação foi arrancada. Lugares estão escuros devido as águas terem levado a posteação e luminárias. Veículos adquiridos com muito suor afundaram-se e a correnteza os levaram. Grandes estoques de mercadorias estragaram por completo. Quatro vidas foram ceifadas deixando um vazio nas famílias dos mesmos. Proprietários alugaram grandes máquinas com o objetivo de proteger o que que lhe restou construindo paredões de pedras. Alguns fixam o olhar ao longe, talvez ainda na esperança de que foi um terrível sonho e irão acordar. Outros esperam que uma luz brilhe no fim do túnel lhes apontando uma saída, pois a dor da perda ainda é predominante e durará meses ou até anos.

    Em toda essa situação se ouve muito a palavra "se". Eu sempre digo que "se" nunca é, mas aqui tenho que mudar um pouco o termo e dizer que o "se" quase foi: "Se a enchente fosse de madrugada, teria um número muito maior de vítimas fatais; se o trânsito pesado ainda passasse no centro da cidade haveria maior represamento de água e consequentemente dezenas de veículos seriam afetados; se fosse no período de carnaval, muitos turistas seriam pegos de surpresa". Ainda bem que o "se" ficou no "se..." São muitas as dúvidas, mas eu fico com uma frase: "Se nosso povo não fosse guerreiro e trabalhador, haveria desânimo, mas como sei que além desses predicados, é fervoroso, lutador e honesto, cedo ou tarde, alcançará seu objetivo e voltará a sorrir".

    José Alberto Valiati

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