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    COLUNISTAS José Alberto Valiati
    JANEIRO SOMBRIO - 2
    Por José Alberto Valiati
    04 de Fevereiro de 2020 às 12h45

    Estamos no mês de janeiro do 143° ano da chegada dos primeiros imigrantes italianos e, 11 dias após a grande e cruel enchente que destruiu parcialmente o nosso município, muitos moradores e transeuntes ainda não acreditam no armagedon que veem. Ficam pasmos com as cenas de destruição e tentam encontrar forças para recomeçar. Coisa que será difícil, mas não impossível, desde que alicerçada na fé e na coragem.

    Centenas de pessoas perderam tudo: quer seja nas residências, quer seja no comércio. Encontramos pessoas desoladas por todos os lados, porém vários sinais nos alertam que não devemos deixar que nossa fé seja abalada. Um exemplo é a imagem de Nossa Senhora de Fátima intacta, mesmo que a enchente tenha chegado até ela. Esse fato chegou até o Vaticano. Temos também fatos irônicos como o acontecido na Creche Sinhá Rosa na comunidade de Bom Destino. Somente um livro ficou enxuto e, curiosamente o título do mesmo é "O Toró".

    Esse terrível evento da natureza uniu todo o povo do Estado do Espírito Santo. A solidariedade vem sendo desde o início, o carro chefe. Doações de todas as regiões chegam com o objetivo de aliviar um pouco a dor dos desalojados e desabrigados. Voluntários de vários municípios se fizeram presentes e isso motivou o próprio governador do Estado, Renato Casagrande, organizar um grande mutirão de limpeza das áreas mais atingidas de Iconha em 25/01. Onde quer que se ia nesse dia, era comum encontrarmos líderes momentâneos que queriam ajudar na organização e máquinas e caminhões em um trabalho frenético na tentativa de retirar o acumulado de lama e as montanhas de terra e areia. Teve voluntário que estava aqui trabalhando e sua cidade começava a ser inundada como por exemplo, Cachoeiro de Itapemirim.

    No interior, com o apoio da prefeitura, vários agricultores trabalhando arduamente na construção de pontes provisórias, pois dezenas foram destruídas e máquinas públicas e particulares desobstruindo estradas. Por todos os cantos trabalhando, integrantes do Exército, Corpo dos Bombeiros e Polícia Militar. Milhares de mensagens de WhatsApp são trocadas para auxiliar os trabalhos e muitas salvaram vidas. Famílias choram as mortes trágicas de seus entes queridos e outras rezam em agradecimento ao milagre de estarem vivas.

    A EDP foi muito eficiente na normalização do fornecimento de energia e o SAAE vem fazendo o mesmo com a água. Meu caro leitor, a situação devagar vai sendo normalizada, porém algumas reconquistas só serão a longo prazo, como a construção e reforma de casas e a atividade comercial. Na cidade já não existe mão e contra-mão: existe sim a mão da solidariedade; não existe separação de classes: existe sim uma união nunca vista; não se ouve xingamentos: ouve-se sim,  frases de esperança e agradecimento. Guardemos esta frase: " A lama sujou o pano da nossa bandeira, porém não será obstáculo na reconstrução do nosso município"!

    (José Alberto Valiati - 28/01/2020)

    José Alberto Valiati

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