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    COLUNISTAS José Alberto Valiati
    JANEIRO SOMBRIO
    Por José Alberto Valiati
    04 de Fevereiro de 2020 às 12h41

    Eram 16:30 de uma sexta feira quente. Os primeiros pingos de chuva começavam a cair e percebi que escurecia além do normal naquela tarde de 17 de janeiro, relembrando tristemente a manhã de 17 de março de 2018, data da última grande enchente no município. Mais alguns minutos e o tempo fechou. Por se tratar de chuva torrencial, subi ao terraço e notei que o rio enchia rápido. Fiz um vídeo às 18h15, enviei pelas minhas linhas de transmissão do WhatsApp e retornei à sala de minha residência. A intensidade da chuva aumentou e produzi outro vídeo às 18h38. Fiquei abismado com o volume d'água e comecei, novamente pelas linhas de transmissão, informar às pessoas por áudio, por ser mais rápido e prático. 

    Fiquei me comunicando via WhatsApp ainda por um período de tempo até que acabou a energia e posteriormente o sinal de telefonia móvel. A noite foi longa. Ansioso para cientizar-me da situação, não consegui dormir. Levantei cedo e fui analisar os estragos. Desci à pé até o Distrito de Duas Barras e deparei-me, ao longo do caminho, com uma situação crítica ao ver a quantidade de barreiras na estrada e pontes arrancadas.

    Em Duas Barras a aparência era de cenas de cine catástrofe. Um verdadeiro tsunami. Só que ali o trágico acontecido não era um filme do gênero, e sim, a mais dura realidade. O barulho não era efeito sonoro, e sim, pedras e água rolando e arrancando tudo que vinha pela frente; a água revolta não era efeito visual, e sim original; as vítimas fatais não eram de araque, e sim, consequências da tragédia. Precisava ir à cidade para ver a situação e ligar para minha mulher e filha para saber se meu filho, que foi submetido a uma cirurgia no fêmur, estava realmente de alta.

    Na cidade, já dispondo de sinal de internet e carregando a bateria no carro do amigo Pedro Lourencini, respondi as mensagens que haviam chegado e atualizei, novamente por áudio, a situação aos meus contatos. Meu caro leitor, as cenas de destruição que vi, acredito que nem Steven Spielberg retrataria no cinema. Postes e pontes arrancados; posto de combustíveis e casas destruídos; barreiras caídas; crateras no asfalto próximo ao rio; o comércio e as casas da parte baixa da cidade cheios de lama; milhões em mercadoria perdidos; carros enterrados na areia ou carregados pela água e colocados em lugares bizarros; mortes confirmadas; voluntários, policiais e bombeiros trabalhando juntos e doações chegando e sendo distribuídas entre os necessitados.

    Eu tento imaginar o terror vivido pelas famílias e com elas me solidarizo, pois muitas ficaram aflitas por não saberem o paradeiro de alguns membros e também por perderem seus bens. A reconstrução do nosso município levará muito tempo, mas Iconha é forte e a solidariedade, mais uma vez, falará mais alto.

    (José Alberto Valiati - 18/01/2020)

    José Alberto Valiati

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