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    HORA CERTA
    COLUNISTAS José Alberto Valiati
    JANEIRO SOMBRIO - 3
    Por José Alberto Valiati
    04 de Fevereiro de 2020 às 12h49

    Às margens do rio/ É tudo sombrio/ Mesmo no vazio/ Não fere o seu brio. Uma mulher desolada, mas não desanimada. Talvez um pouco cansada procura forças para enfrentar a nova realidade. Como muitos outros, perdeu boa parte dos seus pertences e depois da "avalanche" fica impressionada com o cenário macabro diante de si. Ela talvez se pergunta: o que houve aqui? Parece que foi um pesadelo! De fato foi um pesadelo. Não provocado por uma noite mal dormida, e sim por um fenômeno de grandes proporções causado pela natureza. Ela também houve muitos dizerem: "Meu Deus, nunca vi tanta água assim"? "Caramba, achei que era o fim do mundo". "Quando vi, já estava entrando água e lama na minha casa e não deu para salvar as coisas. Graças a Deus estou vivo"! O comentário que ela mais ouviu foi este: "Se fosse de madrugada centenas de pessoas morreriam".

    Infelizmente cada pessoa que sofreu com a enchente tem um triste fato a relatar, porém nenhum é mais doloroso que a perda de um ente querido e aqui presto minha homenagem aos saudosos Alex Sufiati, Antenor Sabino (Japonês), Pedro Belmock e Geoceni Bourguignon, vítimas fatais da calamidade.

    15 dias se passaram. Às pessoas tentam voltar à normalidade, mas para boa parte delas não será a curto ou médio prazo. Casas interditadas não permitirão o retorno de algumas famílias. Edificações arrastadas pela "tsunami" levaram as lembranças de muitos . Grande parte da história e da cultura iconhense foi apagada, mas não será esquecida. Alguns comerciantes estão na dúvida se voltarão ao ramo. A lama transformou-se em poeira com cheiro desagradável. Cidadãos voltam onde residiam e só veem escombros, areia e terra e choram sentindo-se órfãos da vida. O Poder Público faz o que pode. Os agricultores constroem pontes. Milhares são vacinados para prevenir doenças. Graças a Deus, que impulsiona a solidariedade humana, não falta água e nem comida. Mesmo na dor, pessoas se conhecem e nascem amizades. Os municípios se unem em ajuda mútua, mas as ações enfrentam dificuldades, pois outros também foram atingidos por grandes enchentes. Mesmo assim não há desânimo entre os voluntários que ainda circulam por nossa cidade. Com esperança termino a escrita de mais um artigo que retrata esta triste realidade, retornando ao início deste texto. A dor da mulher é muito forte, mas a fé é muito mais. A empreitada é dura, mas a coragem a superará. Muitas lágrimas ainda cairão, mas o sorriso triunfará. Um recomeço é possível, pois a vida não pode parar. Que Deus abençoe e proteja a todos!

    (José Alberto Valiati - 01/02/2020)

    José Alberto Valiati

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